Antônio Martins Filho
Nascido em Crato, em 1904, Antônio Martins Filho era a expressão máxima das virtudes cearenses, quando estas encontram campo para florescer.
Teve a ajuda da sua avó para entrar no mundo das letras. Já aos onze anos, teve seu primeiro emprego. Depois, trabalhou na Gazeta Cariry, em Crato, desde a entrega dos jornais aos assinantes até trabalhos técnicos na parte da impressão. Dez anos depois disso, ele estava no Maranhão trabalhando como caixeiro comerciante.
Em 1929, ainda no Maranhão, em Caxias, abriu sua própria firma, A Cearense. Em Teresina, foi dono do "Cine-Rex" e do jornal "Voz do Povo" e criou o "Ginásio Caxiense" e fazia Faculdade de Direito no Piauí, nos finais de semana, tendo sido bacharelado em 1935. O declínio nos negócios, no Maranhão, e os constantes problemas de saúde dele e de alguns filhos forçaram sua mudança para Fortaleza.
Já em 1937, dirigindo a "Editora Fortaleza", começou a publicar semanalmente a revista "O Valor", que teve tiragem por mais de nove anos. Em parceria com Raimundo Girão, lançou o livro "O Ceará". Foi Diretor e proprietário da "Academia de Comércio Padre Champagnat", em Fortaleza de 1939 até 1943, ano em que entrou no Instituto do Ceara e também na Academia Cearense de Letras. Foi professor do Liceu e de outras instituições de ensino de Fortaleza e, em 1945, tornou-se Professor Catedrático, por concurso, e Doutor em Direito, pela Faculdade de Direito do Ceará.
Juiz, advogado, professor, editor de jornais e revistas, Martins Filho teve o seu nome ligado à criação de várias universidades brasileiras. No Ceará, além da instalação da Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1954, lutou pela implantação da Universidade Estadual do Ceará (UECE), em 1977, e da Universidade Regional do Cariri (URCA), em 1986.
Dentre as dezenas de títulos honoríficos que recebeu em vida, estão os de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia, Filosofia de Crato e Camilo Castelo Branco, em São Paulo.
Em sua longa trajetória, Martins Filho marcou a cultura, a educação e o desenvolvimento humano do Ceará. Durante pelo menos cinco décadas, a valorização do saber, a estima ao pensamento, o fomento ao ensino superior e o engrandecimento intelectual foram o seu combustível e o nosso legado. Chegou a discutir com o grande sociólogo Gilberto Freyre, por este insinuar nos jornais a inutilidade de uma universidade no Ceará. Freyre achava que a Universidade de Pernambuco poderia suprir as carências da região. Estava enganado, e Martins Filho convenceu-o disso.
O homem, que foi quatro vezes Reitor da UFC, fez parte de todas as agremiações culturais de peso e conviveu com as grandes personalidades da sua época. A paixão pelos livros levou-o a criar a Imprensa Universitária da UFC e a dirigir a Coleção Alagadiço Novo, um dos mais importantes programas editoriais que já tivemos, com mais de 300 títulos publicados.
No dia em que Antônio Martins Filho recebeu o título de Personalidade do Povo, concedido em 1991, pela Fundação Demócrito Rocha, em seu discurso, o reitor permitiu-se evocar cenas de sua infância em Crato, quando tomou gosto pela literatura e, em especial, pela poesia em suas mais diversas formas, da clássica à popular. Morreu em 2002, dois dias antes de completar 98 anos.
Nome:
Antônio Martins Filho
Ato de Nomeação:
16 de junho de 1986
Término do Mandato:
31 de março de 1987
Vice-Reitor:
José Newton Alves de Sousa