Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau
Nasceu na cidade de Araripe, Sul do Ceará, em 1926. Depois de cursar o ensino primário e secundário em Crato, foi, aos 14 anos, para o Rio de Janeiro, sob a orientação do irmão político, Miguel Arraes. Cursou o Clássico no Sacré-Coeur de Marie e no Colégio Santo Amaro. Conheceu o Padre Hélder Câmara, de quem se tornou muito próxima e foi colaboradora formal, como militante do Secretariado Nacional da Ação Católica.
Formada em Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Violeta Arraes tem uma vida marcada pela ação cultural e política. Estagiou um ano na França, no Centro Internacional de Economia e Humanismo, dirigido pelo Padre Lebret, onde conheceu seu marido, Pierre Maurice Gervaiseau, com quem se casou em Recife, em 1951.
De 1958 a 1964, residiu em Recife, onde foi uma das iniciadoras do Movimento de Cultura Popular, juntamente com Paulo Freire. Participou ainda dos movimentos de educação de base, ligada ao Cinema Novo e ao mundo artístico e literário. Nesse período, juntamente com Pierre Gervaiseau, Economista e cooperante francês na SUDENE, colaborou na ação política do Governador Miguel Arraes.
Testemunhou os acontecimentos que culminaram com a deposição e prisão do Governador Miguel Arraes, no dia 1º de abril de 1964. Presa, juntamente com seu marido, quando chegava ao Arcebispado para visitar D. Hélder Câmara, no seu primeiro dia de bispo de Recife e Olinda. Foi expulsa do País com sua família, quatro meses depois.
Na França, onde residiu a partir de 1964, cursou pós-graduação em psicologia e exerceu a função de psicoterapeuta, no serviço do renomado Dr. Widlocher.
Em 1979, ano da anistia, retornou ao Brasil. Foi convidada a trabalhar como adida ao Projeto França-Brasil, na Embaixada Brasileira em Paris. De 1984 a 1986, Violeta dedicou-se a elaborar e desenvolver o projeto, realizando vários eventos significativos, entre os quais merece ser destacada, a Exposição de Arte Popular Brasileira, no Museu de Arte Moderna, contando com hegemônica participação da arte nordestina.
Em 1988, em reconhecimento às suas intensas atividades, recebeu convite do Governador Tasso Jereissati para assumir a Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Desde a posse até o fim de sua gestão, Violeta Arraes desenvolveu um projeto que contemplou não apenas a realização de obras e eventos, mas, principalmente, a implementação de um programa cuja pedagogia e filosofia buscavam conscientizar toda a sociedade sobre o real e amplo conceito de cultura.
Sempre ao lado do marido, integrou um grupo de estudos, instituído na Universidade Regional do Cariri (URCA), que defendia o reconhecimento da Chapada do Araripe como área de proteção ambiental. Esta preocupação levou-a a contatos com a direção do Museu de História Natural de Paris, tendo assim a oportunidade de acompanhar o diretor do museu e renomado paleontologista Prof. Philipe Taquet e sua equipe, numa missão ao Laos.
Em 1997, assumiu mais um desafio, a Reitoria da Universidade Regional do Cariri. Com ela trouxe um novo projeto em mente, que procurou incansavelmente realizar, com coerência: a dinamização da cultura do sertão. Violeta Arraes ficou à frente da URCA, até início de 2003.
Nome:
Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau
Ato de Nomeação:
27 de novembro de 1996
Término do Mandato:
1 de julho de 2003
Vice-Reitor:
Plácido Cidade Nuvens