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URCA - Universidade Regional do Cariri

 

 

   
 A Bacia do Araripe
 

Leia tabém sobre: A Formação Santana

 

A Bacia Sedimentar do Araripe é uma seqüência predominantemente mesozóica, localizada no extremo sul do Estado do Ceará, compreendendo ainda porções dos Estados de Pernambuco e Piauí, possuindo uma área próxima de 10.000km 2 (Figura 1). È limitada pelas coordenadas geográficas: 38° 30’ a 40° 55’ de longitude oeste de Greenwich e 7° 07’ a 7° 49’ de latitude sul, sendo regionalmente inserida no conjunto geotectônico informalmente referido como, “bacias interiores do Nordeste” (Figura 1).



Figura 01. Mapa geológico simplificado da Bacia do Araripe
(modificado de ALBUQUERQUE ET AL., 2000; SALES & SIMÕES, 2000).

 

A origem da Bacia do Araripe está diretamente ligada ao evento da abertura do Oceano Atlântico Sul, que envolveu toda a porção leste da Plataforma Sul-Americana, chamado Reativação Wealdeniana, responsável pela fragmentação do paleo-continente Gonduwana e pela formação dos riftes mesozóicos do Nordeste (Ponte & Ponte Filho, 1996). A intensa atividade da Plataforma Sul-Americana criou grandes depressões tafrogênicas possibilitando a formação de centros de deposição, com estruturação típica de riftes juvenis, preenchidas por sedimentos terrígenos de idade eojurássica a neocretácica, de seqüências meso-cenozóicas que constituem hoje a seqüência sedimentar do Araripe.

A coluna estratigráfica da Bacia do Araripe é formada por quatro seqüências tectôno-sedimentares limitadas por discordâncias regionais ou por hiatos, paleontologicamente definidos (Ponte 1992a, 1992b): a Seqüência Beta, de idade siluro-devoniana(?); a Tectôno-seqüência Pré-Rifte, representada nas formações Brejo santo e Missão Velha, de idade Donjoniana (neo-jurássica ?). Esse pacote encontra-se sobre a discordância pré-mesozóica, e no topo é superposto por rochas sedimentares da Formação Abaiara, de idade Rio da Serra/Aratu, da Tectôno-seqüência Sin-Rifte, em contato marcado por diastema. O topo da formação Abaiara é truncado por uma superfície erosional, conhecida como discordância pré-aptiana. Após o período de erosão e não deposição teve início, na Bacia do Araripe, o último ciclo sedimentar, transgressivo/regressivo, que constitui a Tectôno-seqüência Pós-Rifte, representada pelas formações Rio da Batateira, Santana (mundialmente famosa com os depósitos fossilíferos que contém) e Exú, de idade aptiano-albiano.

Os estratos da Bacia do Araripe são refletidos na arquitetura da bacia, tendo na parte inferior uma zona de riftes, encravada no embasamento pré-cambriano e, na parte superior, com cobertura tabular, sub-horizontal, encobrindo discordantemente as bacias do tipo rifte (Assine 1990).

Os aspectos geomorfológicos da área estão diretamente relacionados às unidades estratigráficas, que refletem de maneira peculiar as suas diferentes características geomórficas. A feição geomorfológica de maior expressão é a Zona da Chapada, que forma uma extensa "mesa" constituída pelos sedimentos da Formação Exú, de cota em torno de 900m.

O interesse pela Bacia Sedimentar do Araripe despontou a partir da década de 60, com valiosas contribuições da Universidade Federal de Pernambuco, seguidos com trabalhos acadêmicos de diversas universidades brasileiras e estrangeiras, a partir dos trabalhos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNMP), Companhia de Pesquisa e Recurso Minerais (CPRM), Petrobrás e empresas empenhadas na pesquisa de petróleo nas bacias interiores do Nordeste.



RELEVÂNCIA SOCIAL DA PESQUISA SOBRE O CRETÁCEO

Ultimamente, nosso interesse no clima do Cretáceo origina-se da preocupação atual a cerca do incremento da temperatura e do aquecimento global. O calor extremo no Cretáceo Médio representa um dos melhores exemplos de aquecimento global, das mudanças climáticas, do registro geológico (Barron, 1983). Dados de pesquisadores sugerem com base em cálculos globais, uma temperatura média da superfície da Terra, no Cretáceo Médio, superior a 10ºC, do que é registrado hoje (Bice e Norris, 2002). Algumas das perguntas mais importantes das ciências da terra, nos nossos tempos, diz respeito ao entendimento de como as atividades humanas podem estar modificando o clima corrente e futuros. Quanto acima os valores atuais das temperaturas do mar tropical podem subir? Entrará a Terra em outro estado de aquecimento global, devido aos aumentos de concentrações de gáses? Se, positivo, como climas extremos e rápidas flutuações de clima afetariam a estabilidade da biota? Irá no futuro um sistema terrestre de aquecimento exibir uma estabilidade climática e biótica ou uma abrupta mudança de estados extremos ? O estudo do clima do Cretáceo, pode ser a chave para essas perguntas. Os fósseis da Formação Santana, da Bacia do Araripe, podem contribuir para o entendimento de tais questionamentos.

 

 


Apoio de Conteúdo
Alexandre Magno Feitosa Sales
(Diretor do Museu de Paleontologia URCA)

O Museu de Paleontologia – URCA é aberto à visitação de terça a sábado das 08:00 às 16:00 horas e domingo das 08:00 às 14:00 hs.

O Museu está localizado em Santana do Cariri, a Rua Dr. José Augusto de Araújo, 326.
Visitas devem ser agendadas, pelo telefone (88) – 3545-1206 ou 3545-1320 (fone-fax)
E-mail: amfsales@urca.br ou ribeiro@urca.br

 

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