Abertas inscrições para o II Seminário Nacional de História e Contemporaneidades, na URCA

23 de junho de 2015 - 16:02

Estão abertas as inscrições para o II Seminário Nacional de História e Contemporaneidades. O evento, promovido pelo Laboratório de Imagem, História e Memória-LABIHM/URCA, acontecerá no período de 13 a 16 de outubro, na Universidade. As inscrições estão abertas de 19 de junho a 20 de julho, para profissionais e estudantes. Os professores da rede básica de ensino poderão se inscrever gratuitamente nesse período. Para os ouvintes, as inscrições podem ser feitas de 30 de junho a 1º de outubro. O seminário conta com a parceria da Universidade Federal do Cariri (UFCA).

 

A abertura será às 19 horas do dia 13, com a conferência– Mídia, História e Extremismos no Tempo Presente, proferida pela professora dra. Marialva Carlos Barbosa (UFRJ), no Salão de atos da Universidade. A partir das 14 horas estará sendo realizado credenciamento dos participantes.

 

Em sua segunda edição, o Seminário Nacional de História e Contemporaneidades traz para o debate os desafios de refletirmos o passado, a produção do conhecimento histórico e o ensino em meio à profusão de ações extremadas no presente. Portanto, o tema deste ano é Pensar o Passado em Tempos de Extremismos e Exclusões. A eclosão de conflitos armados em várias partes do mundo, atentados, divergências étnicas e religiosas, nacionalismos exacerbados, perseguições associadas às diferenças de gênero e a práticas culturais e a destruição ambiental parecem nos colocar diante de uma “crise do futuro” (MORIN, 2008). Tais aspectos trouxeram à tona atitudes e radicalismos que pareciam superados, o que tem manifestado um crescente sentimento de precariedade social e humana, reforçado pelas graves condições de desigualdade e exclusão de milhões de pessoas em várias partes de globo.

 

Uma “era de extremos”, como definiu no final do século XX o historiador Inglês Eric Hobsbawm (1989), resultado de um processo de profundas transformações que ainda estão em curso. Para o sociólogo Zygmunt Bauman (2014) o momento de uma revolução que nós, contemporâneos ainda não conseguimos dimensionar em sua complexidade. Não há como negar um elemento fundamental nesse cenário: o processo de globalização tornou-se um aspecto indelével em nosso dia-a-dia.

 

No Brasil, os anos de 2013 e 2014 foram marcados pela eclosão de grandes manifestações sociais que trouxeram à tona problemas de desigualdade de renda, corrupção e má gestão pública. Por outro lado, descortinou profundas diferenças regionais, preconceitos e radicalismos políticos que demonstraram as fissuras de um país que vivia sob a fachada de uma pseudo sociedade da tolerância. As divergências de interesses e prioridades entre as classes sociais foram desveladas em meio aos debates aguerridos impulsionados pelo processo eleitoral para presidente, quando a bipolarização política e as rivalidades assumiram a tônica do debate político. Em meio a tais problemas, ressalta-se o papel dos meios de comunicação e das grandes corporações em suas tentativas de controle e manipulação da informação.

 

O desespero, a fome e o medo que impulsionam ações de grupos extremados são também aspectos de uma globalização perversa, como ressaltou Milton Santos (2000), marcada pela técnica e pelo poder dos meios de comunicação que ajudam a fabricar a fábula de uma democracia global, conceito há muito esvaziado de um sentido social e ético mais amplo.

 

Deste modo, a emergência de atitudes que pareciam encerradas em épocas anteriores coloca-nos desafios tenazes, uma vez que não apenas convivemos com extremos políticos, mas também sociais. Desafiam-nos a refletirmos sobre o papel do saber histórico no mundo contemporâneo. Interrogarmos em que medida o ensino sobre o passado pode servir como importante aporte para superação de desigualdades e radicalismos trazendo para primeiro plano o exercício de uma cidadania participativa e reflexiva. Como a compreensão do passado pode nos auxiliar a pensarmos sobre diferenças e desigualdades em vários tempos históricos?


Mais informações no link:

https://iisnhcurca.wordpress.com/o-evento/