Nota de Solidariedade à #EXPOSEDCARIRI pelo Observatório da Violência e dos Direitos Humanos da Região do Cariri da Universidade Regional do Cariri (URCA)
3 de junho de 2020 - 21:42
A violência contra as mulheres é um mal social, histórico e cultural que precisa ser visibilizado e eliminado da sociedade. Neste sentido, é importante romper com o “silêncio” que circunda esse mal. A voz feminina precisa ser ouvida e ações de combate à violência materializadas. Temos consciência das limitações dos serviços ofertados pela rede de proteção às mulheres, muitas vezes distantes das residências das vítimas, e que não funcionam 24 horas! Mesmo diante destas limitações, a busca por apoio e o acesso aos órgãos de denúncia devem ser estimulados e mantidos. O silenciamento da violência contra as mulheres deve ser evitado e os casos denunciados em todos os espaços, dentre eles, as mídias sociais.
Nesse sentido, o Observatório da Violência e dos Direitos Humanos da Região do Cariri da Universidade Regional do Cariri (URCA) se solidariza com as inúmeras mulheres que romperam o silêncio e expuseram os casos de violência que já sofreram/sofrem na vida por meio das mídias sociais, de grande repercussão, como a #EXPOSEDCARIRI, no Twitter.
O fim do silenciamento da violência contra as mulheres é necessário para visibilização e enfrentamento do agravo e suas consequências, funcionando também como incentivo para novas denúncias e permitindo a formação de uma rede de apoio e solidariedade entre as vítimas. Às mulheres determinadas em expor suas experiências, nossa solidariedade e apoio. A violência não deve ficar impune. Os agressores devem ser conhecidos da comunidade onde vivem e trabalham, de forma que a nossa sociedade não coadune mais com essas práticas incorporadas em ditos populares do tipo “homem é assim mesmo”. Não são assim, são educados e acobertados a agirem desse modo leviano, irresponsável e criminoso, e por suas ações devem sofrer as punições previstas em lei.
Destaca-se ainda que, sempre presente no cotidiano das mulheres, atingindo crianças e outros familiares, a violência tem aumentado de forma exponencial durante o enfrentamento da COVID- 19, a partir das medidas de distanciamento social impostas pelos governantes.
Considerando o distanciamento social ser a medida aconselhada à população, juntamente com os cuidados de higiene pessoal como estratégia para redução do número de casos da doença COVID-19, é neste cenário que estão ocorrendo agressões às mulheres dentro da sua própria casa, e em grande parte, o agressor é alguém com quem a vítima tem/teve relações, como o companheiro ou ex-companheiro, ou mesmo outros homens familiares.
Assim, durante o distanciamento social, é reforçada nos lares a desigual divisão de tarefas domésticas, o que sobrecarrega especialmente mulheres com filhos, casadas ou não, comprovando como o ambiente doméstico é mais uma esfera do exercício de poder masculino. Em sua grande maioria, a presença dos homens nos lares não implica em cooperação ou distribuição harmônica dos afazeres domiciliares, mas sim, o aumento do trabalho invisível e não remunerado das mulheres. À medida em que as mulheres passam mais tempo restritas ao domicílio e sobrecarregadas física e mentalmente, elevam-se as chances para potenciais conflitos e exacerbação de episódios violentos e casos de feminicídio.
Pelo exposto, pelas vítimas, pedimos um “Basta de violência contra as mulheres” e o fim de sua naturalização na nossa Região, no Ceará, no Brasil e no mundo.
Além da rede de solidariedade mútua, é importante que se espalhem as informações da Rede de Proteção Institucional, muitas vezes, o último refúgio das vítimas, e o primeiro passo para a responsabilização justa dos agressores. Contamos com toda a comunidade para a divulgação destes setores:

1- Delegacia de Defesa da Mulher no Crato
Rua Cel. Segundo, 216, Centro
Telefone 3102-1250
2- Delegacia de Defesa da Mulher no Juazeiro do Norte
Rua das Flores, s/n, Santa Tereza
Telefone 3102-1102
3- NUDEM – Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher no Crato
Rua André Cartaxo, 370 – Centro
Telefone 99975-9586
4- Centro de Referência da Mulher em Juazeiro do Norte
Rua Delmiro Gouveia, 688, Salesianos
5- Centro de Referência da Mulher em Crato
Rua José Carvalho, 376.
whatsapp: 99780-4166
Para conhecer e compartilhar os indicadores de violência contra a mulher na nossa região, acesse os dados de monitoramento da violência realizados pelo Observatório da Violência e dos Direitos Humanos da Região do Cariri da Universidade Regional do Cariri (URCA):