XX Semana de Iniciação Científica da URCA tem cerca de 2 mil inscritos e eleva debate em relação à crise, educação e a ciência no Brasil

26 de outubro de 2017 - 09:28

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O número de participantes é recorde desde a primeira edição do evento, foram submetidos aproximadamente 750 trabalhos para apresentações nas modalidades pôster e comunicação oral, destes, 632 foram aprovados

Com um número recorde de inscritos, foi aberta, no último dia 23, a programação da XX Semana de Iniciação Científica e III Encontro de Pós-Graduação da Universidade Regional do Cariri (URCA). O evento contou com a presença do Reitor Patrício Pereira Melo, o Vice-reitor, professor Francisco do Ó Lima Júnior, além dos pró-reitores de Ensino de Graduação, Egberto Melo; Extensão, Arlene Pessoa; e Pós-graduação e Pesquisa, Allysson Pinheiro. Com a proposta de debater a realidade do contexto político e social do Brasil, o tema deste ano é A Crise e os Efeitos na Educação e Ciência. A Semana de Iniciação Científica segue até a próxima sexta-feira, dia 27. O evento de abertura aconteceu no Salão de Atos da URCA, onde há uma programação diária de palestras e debates.

O Reitor da URCA fez a abertura oficial e destacou o sucesso do evento, com a maior participação desde a primeira edição, em relação ao número de estudantes e inscrições de trabalhos. No tocante à realidade atual do Brasil, ele ressaltou que esse é o momento de acolher os movimentos sociais, ouvir as comunidades acadêmica e regional. O Reitor ainda lembrou aos alunos do momento difícil enfrentado durante a votação contra a aplicação da ideologia de gênero nas escolas municipais do Crato, realizada na Câmara Municipal, e destacou o ambiente acadêmico como o espaço de acolhimento, tratando esse tema, por mais que pareça difícil para a comunidade regional.

“Não é à toa que o tema nacional da Iniciação Científica e Ciência e Tecnologia foi alterada. A temática seria Matemática. Mas o Comitê Científico da URCA pautou o novo tema, que é o que nesse momento está sendo trabalhado”, disse.

O Reitor ainda agradeceu a presença do palestrante da abertura da semana, o Professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Phellipe Marcel, que abordou a temática: A universidade de Schröringer: por que, entre greves, disputar sentidos por um aparelho de Estado?. Ainda ressaltou o trabalho desenvolvido pelo Comitê Científico, e da PRPGP. Para o Pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, Allysson Pinheiro, o momento é de fortalecer os movimentos em favor da universidade brasileira e reforçar a importância dos movimentos de defesa de mais recursos para as instituições acadêmicas.

Sucesso do evento

O Pró-reitor da PRPGP enfatizou o sucesso do evento, demonstrando o crescimento da universidade, num momento de socializar o que aconteceu na URCA no último ano, em termos de pesquisa e pós-graduação. Foram mais de 1.800 trabalhos inscritos, conforme o pró-reitor. “Um momento rico para a universidade se conhecer e também se apresentar a comunidade regional”, disse ele.

Após a solenidade, Phellipe Marcel iniciou a sua palestra de abertura, quando alunos em manifestação adentraram o Salão de Atos, protestando contra o corte de bolsas, que poderá, segundo eles, gerar a descontinuidade dos seus cursos.

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Reitor debate propostas com os alunos

Durante a manifestação dos alunos, o Reitor disse que estava à disposição do diálogo, no pátio da URCA, para que a palestra com o Professor da UERJ continuasse. Com isso, ressaltou a agenda com o pessoal da ocupação que está acontecendo. “Fico muito tranquilo quando falamos em contas e responsabilidade administrativa”, afirmou.

Ele chegou a se reunir com os alunos, nos jardins da universidade, e disse que estava disposto solicitar ao Governo do Estado, espaço para um momento de apresentação de propostas e negociação dos estudantes com o governador Camilo Santana. “Acredito na boa vontade do Governo de ouvir os alunos e buscar atender da melhor forma possível às reivindicações”, afirmou.

Segundo Patrício Melo, a administração da URCA não está parada diante das reivindicações, mas que não pode ultrapassar a esfera do administrativo para atender todas as propostas, como no caso das bolsas, já que a Universidade não tem recursos para financiá-las. “Estamos reivindicando porque sabemos das dificuldades dos alunos”, enfatizou.

Outro ponto destacado pelo Reitor foi a importância dos estudantes organizarem as reivindicações para serem encaminhadas por escrito.

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Contextualização do momento de crise

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O palestrante Phellipe Marcel ressaltou que esse é um momento de contextualização do debate, diante da crise que a universidade está atravessando, com a presença do diálogo, acima de tudo, ouvindo os alunos, entendendo o nível de precarização das universidades, para que a luta não seja pontual, mas pelo sistema universitário brasileiro. Outro ponto importante, conforme o palestrante, é reconhecer-se como trabalhador e perceber que disputas não devem levar a divisionismo.

Objetivo da semana

O objetivo do evento é reunir pesquisadores (estudantes e docentes) que atuam e produzem conhecimento na graduação e pós-graduação, visando a troca de experiências e saberes, a formação de recursos humanos com expertise em diversas áreas do conhecimento e a análise crítica da realidade atual brasileira.

A ciência e a educação têm recebido duros golpes como a Emenda Constitucional nº 95/2016, que congela as despesas primárias por vinte anos e traz rebatimentos em todos os setores sociais, em particular na educação e saúde; a contrarreforma trabalhista e a universalização das terceirizações, que significa não uma ponte para o futuro mas um salto para o passado anterior à década de 1930; a contrarreforma do ensino médio, que rebaixa o cardápio cultural da juventude; a contrarreforma previdenciária que retira, na prática, o direito à aposentadoria; os cortes de bolsas para pesquisa que inviabilizam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no país, dentre outros.

A Universidade não pode ficar silente diante do ataque brutal à educação e à ciência em todos os níveis. O encontro de iniciação científica é uma oportunidade de utilizar as armas da crítica para denúncia e anúncio, conforme Paulo Freire, e anunciar perspectivas para superar esse quadro adverso.