Paleontólogo Alexander Kellner ministra palestra sobre o Museu Nacional na URCA
26 de agosto de 2019 - 10:25

O Paleontólogo e Diretor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alexander Kellner ministrou nesta última quinta-feira (22), a palestra “Museu Nacional: Um ano depois da tragédia”, no Auditório do Mestrado de Bioprospecção Molecular, campus Pimenta, em Crato.
A palestra foi promovida pelo Centro Acadêmico do curso de Ciências Biológicas e teve por objetivo promover conhecimento para estudantes da Universidade, com foco na melhoria do aprendizado.
Reconhecido mundialmente como um dos grandes paleontólogos, Alexander Kellner iniciou a palestra falando sobre a relevância histórica do palácio. “Esse lugar foi extremamente importante para o nosso país, porque na casa em que funciona o museu morou a família real, depois a família imperial, é uma estrutura importante para o Brasil, local histórico”, disse.
“Um ponto que eu acho legal, é que existe toda uma estruturação diferente no Museu Nacional em função da sua realidade, é diferente da maior parte dos museus do mundo, porque ele além da questão da exposição, forma pesquisador, e isso é um ponto muito importante, e se deve ao fato de estarmos na Universidade”, destacou Alexander.
O paleontólogo disse que os departamentos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estabelecem linhas de pesquisas e estas são vinculadas aos programas de pós-graduação – Antropologia social, zoologia, patrimônio geopaleontólogico, linguística, botânica e arqueologia – que realizam muitas coletas, com diferentes acervos para o Museu.
Segundo o diretor, a missão do museu é descobrir e interpretar os fenômenos do mundo natural e das culturas humanas e difundir o seu conhecimento por meio de pesquisas ou organizações de coleções, a formação de recursos humanos e educação científica, como também atuar na preservação do patrimônio científico, histórico, natural e cultural.
Após falar dos aspectos do museu que o tornam único, Alexander relatou sobre a tragédia que aconteceu em 02 de setembro de 2018, o incêndio do Museu Nacional que teve grandes proporções e atingiu a sede municipal, destruindo parte do acervo histórico e científico que foi construído ao longo de duzentos anos, e que abrangia cerca de vinte milhões de peças catalogadas. “Objetos que inclusive não eram nossos, eram de outras culturas, como coleções de múmias, obtidas legalmente, biodiversidade, material etnográfico foram perdidos. Todas as salas foram afetadas, além das áreas de ensino e pesquisa”, comentou.
Além de falar sobre a atual situação do museu, Kellner também mostrou um histórico da condição financeira da instituição, no qual apresentou o orçamento com que o Museu Nacional funcionava e comparou com outros museus, abordando as questões de infraestrutura e logística.
Então, o paleontólogo afirmou que a solução para o problema era lutar, argumentar e explicar a importância da instituição para a sociedade, e disse ainda que um museu que não dialoga com o povo está condenado a extinção. “É absolutamente fundamental que as pessoas entendam, que apesar dessa tragédia e pelo fato de a gente está na Universidade, de toda a pós-graduação ser ativa, nós não perdemos a capacidade de gerar conhecimento, temos que pensar em um novo museu, uma nova área expositiva, uma ampliação institucional, a reconstrução do edifício, restauração do que puder ser feito e a preservação do acervo”, relatou.
O diretor se mostrou positivo diante do quadro e ver a tragédia como uma oportunidade para reconstruir a instituição como deve ser feita. “Um museu que seja equivalente aos museus de história natural, que encontramos nos países europeus, em diversos países asiáticos, nos países norte-americanos”, falou. Ainda informou que as obras de reconstrução irão começar esse ano, com a previsão de serem concluídas em 2024.
A palestra foi uma oportunidade imperdível para alunos da URCA conhecerem as ações e atividades que a instituição está desenvolvendo através do projeto “Museu Nacional Vive”, e contou com a presença de professores e estudantes dos cursos de Ciências Biológicas, Geografia e História.
