Artefatos da Cultura Negra realiza sua X edição

30 de setembro de 2019 - 17:15

A X edição do Artefatos da Cultura Negra foi encerrada no último sábado, 28, na Universidade Regional do Cariri (URCA), feito em parceria com instituições como a Universidade Federal do Ceará (UFCA), e o Instituto Federal do Ceará (ICE). O evento, que se tornou, ao longo dos anos, um dos maiores já realizados com o apoio da URCA, e desde o último dia 9 de agosto, já vem realizando atividades em municípios da região, ainda conta com a parceria do Instituto Federal de Educação do Ceará, em Juazeiro do Norte (IFCE), com o Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Relações Étnico-Raciais (Negrer) e com o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro e Indígena (Neabi)8

O objetivo do Artefatos é fortalecer a construção de uma educação antirracista e ampliar a compreensão e a participação da presença negra e das africanidades na história e na cultura brasileiras.

O evento foi aberto na URCA, com apresentação do pesquisador e artista, Gerson Moreno, com uma performance em que denuncia questões relacionadas ao racismo no Brasil, e suas consequências, em que relata os índices crescentes de mortes no País de negros e pobres.

Após a abertura oficial, foi realizada palestra do professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro da comissão organizadora do evento, Henrique Cunha, idealizador do Artefatos. Ele falou na importância dos movimentos negros no Brasil. E, sobretudo, na necessidade dos movimentos sociais e na universidade, “mas nem sempre na ciência que ela produz”, completou.

O pesquisador fez um paralelo da história dos quilombos, e o que as universidades pensaram ao longo dos anos, em relação a essas questões, principalmente no que diz respeito à história e à cultura das populações negras, o que se produz nas áreas rural e urbana. “O movimento negro sempre pautou o que incomoda, falou das desigualdades. As desigualdades são produzidas pelo sistema”, diz ele.

A organização do evento agradeceu a todos os que ao longo dos últimos 10 anos, colaboraram para a realização do evento. Foi destacado que o Artefatos já passou por 12 comunidades e que há avanços ao longo da sua realização. O resultado da luta para realização do evento é marcado por ousadias.

O Reitor da URCA, Professor Francisco do O’ Lima Júnior, evidenciou, durante a sua fala de abertura, a relevância do Artefatos e dos pesquisadores que tratam dessa pauta, por ser um evento transdisciplinar. Ele ressaltou elementos importantes, que sinalizam para um panorama e uma história de provocações. “Estamos tratando de um evento, que, por si só, traz uma agenda desafiadora, que é o combate à discriminação racial, através do conjunto de ações sistematizadas do nosso cotidiano, dentre outros espaços, também no âmbito e na formação educacional”, afirma. Classificou o evento como revolucionário, no pensamento da educação, saberes e produção do conhecimento, entre as diversas formas de cultura e linguagens. “Transformar conhecimentos, saberes, em procedimentos significativos e inclusivos, para favorecer e estimular o humano, sem preconceitos, estereótipos, intolerância nem estranhismos, com todo esse conjunto de ações, que passou a ser revolucionário no Brasil, desde quando temos um presidente que é contra toda forma de direitos humanos”, afirma.

É importante salientar que o evento tem tido notabilidade, através de um conjunto maior de estratégias, seja na URCA ou fora dela, e desenvolve e amplia ações, através das problematizações das questões do nosso cotidiano. Vários foram os avanços nesse campo de luta. Um deles está relacionado às ações afirmativas, através da habilitação de membros da comunidade acadêmica, para constituir a Comissão Permanente de Heteroidentificação. Para tanto, entre os dias 19 e 20 de setembro a Pró-Reitoria de Ensino de Graduação promoveu o curso de Formação “Ações Afirmativas por meio de cotas raciais, bancas de aferição e fraude”, ministrado professora Dra. Marcilene Garcia de Souza (IFBA, Campus Salvador).

A agenda defendida pelo Artefatos é uma agenda institucional. Por isso, é de suma importância que sejam envidados todos os esforços para que as conquistas alcançadas sejam consolidadas e que novas pautas sejam debatidas e materializadas ao longo dos próximos anos.