CIÊNCIA NO CARIRI: Pesquisadores da URCA descobrem nova espécie de inseto fóssil na Bacia do Araripe

6 de maio de 2026 - 20:26

O achado, publicado em revista internacional, reforça a importância da produção científica no interior do Ceará e a preservação do patrimônio fóssil no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens.

A Universidade Regional do Cariri (URCA) celebra mais um marco científico global. Pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Recursos Naturais (PPGDR) identificaram uma nova espécie de inseto fóssil que habitou a Bacia do Araripe há mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado na última segunda-feira (04), na renomada revista internacional Historical Biology.

A nova espécie e gênero, denominada Eurydicoris tabulatus, pertence ao grupo dos “percevejos escavadores”. O fóssil foi coletado em 2018 pela equipe do Laboratório de Paleontologia da URCA, durante uma escavação controlada no município de Nova Olinda (CE), em camadas de calcário laminado conhecidas regionalmente como “Pedra Cariri”.

Formação de Excelência e Investimento

O trabalho é fruto da dissertação de mestrado de Gustavo Pinho, sob orientação do paleontólogo Álamo Saraiva, ambos do PPGDR/URCA. O projeto contou com financiamento da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), evidenciando o impacto do investimento público na formação de novos cientistas no interior do estado. Atualmente, Gustavo segue carreira acadêmica como doutorando na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Para o vice-coordenador do Laboratório de Paleontologia da URCA, Prof. Dr. Renan Bantim, a descoberta amplia o prestígio da região. “Esse achado reforça o papel da Bacia do Araripe como um dos registros mais importantes da vida na Terra e consolida o Cariri como um polo científico em crescimento nacional e internacional”, afirma.

Ciência e Cotidiano

Embora contemporâneo aos dinossauros, o Eurydicoris tabulatus possui parentes atuais conhecidos pela população local, como o “percevejo da goiaba”. Gustavo Pinho destaca que, apesar da semelhança física com o “barbeiro” (transmissor da Doença de Chagas), esses insetos são inofensivos e se alimentam apenas de seiva. “Essa comparação ajuda a sociedade a compreender que a biodiversidade que vemos hoje no Cariri possui uma história evolutiva milenar, preservada em nossas rochas”, explica o pesquisador.

Tecnologia e Soberania Nacional

A identificação da espécie só foi possível com o uso de tecnologias de ponta, como microtomografia computadorizada e microscopia eletrônica, permitindo a observação de detalhes tridimensionais invisíveis a olho nu.

O Prof. Dr. Álamo Saraiva, coordenador do Laboratório, ressalta um ponto crucial: a permanência do material em solo cearense. Diferente de muitos fósseis da Formação Crato que foram levados ilegalmente para o exterior no passado, este exemplar está devidamente depositado no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri.

“O fato de o fóssil estar acessível à comunidade científica e à população local reforça a importância do tombamento e da proteção do patrimônio brasileiro, garantindo que o legado natural gere educação, pesquisa e desenvolvimento para a nossa própria região”, pontua o professor Álamo.

Serviço: A pesquisa completa pode ser consultada no periódico Historical Biology. O fóssil integra o acervo do Museu de Paleontologia da URCA, em Santana do Cariri.