Desafios para o saneamento básico no Nordeste preocupam pesquisadores

9 de maio de 2017 - 01:59

Os desafios que envolvem o saneamento básico nunca estiveram tanto evidência. Apesar de ser considerada, por especialistas, como uma das mais básicas infraestruturas das cidades, a realidade ainda está distante desta premissa. A região Nordeste, de acordo com o ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil, possui índices preocupantes. Somente 71% das pessoas possuíam acesso à água tratada e 21% tinham coleta de esgotos na região, conforme dados de 2011.

Para Álvaro José Menezes da Costa, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), o levantamento expõe o lento processo do saneamento básico, isto é, o de prover acesso à água e a ligação à rede de esgoto nos domicílios brasileiros. Engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Estado de Alagoas (UFAL), com especialização em Aproveitamento de Recursos Hídricos (UFAL); tendo passado 30 anos como gestor público no setor de saneamento, Álvaro ministrou palestra durante a Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (RR-SBPC), sobre a situação atual do saneamento básico do Nordeste.

O engenheiro destacou que ao longo dos últimos anos, as cidades têm crescido sem planejamento ou controle, levando uma expansão habitacional muito superior ao crescimento de sistemas de coleta e tratamento de esgotos e drenagem urbana. Como prejuízo, Álvaro pontuou que as água superficiais estão sendo agredidas de forma muito acentuada. “Assim, rios, lagoas e mares sofrem com o lançamento de esgotos ‘in natura’ e de águas servidas que não são coletadas por sistemas públicos de esgotamento sanitário ou, muitas vezes, sãoimages/stories/img_3204.jpg lançadas em redes de drenagem de forma clandestina ou até intencional”.

Além disso, os esgotos a céu aberto ou podem trazer sérios danos à saúde pública. “É visível a relação entre gastos no Sistema Único de Saúde (SUS) e ausência de redes de esgoto. Mais de 88% das mortes por diarreia no mundo decorrem de falta de redes de esgoto e no Brasil este número é superior a 80%”, disse, ao destacar que a região do Nordeste necessita de avanços mais céleres, com pontuais exceções de algumas capitais.

O vice-presidente da ABES recordou que o Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), cujo investimento previsto é de aproximadamente R$ 290 bilhões para esgotamento sanitário e R$ 160 bilhões para abastecimento de água, representa que está ocorrendo uma mudança de perfil dos investimentos com recursos públicos e as próprias Parcerias Público Privadas (PPP), “que já buscam atuar mais na área de esgotos”.

Ao fim da palestra, Menezes da Costa lembrou que, se o saneamento urbano é um desafio, o saneamento Rural é “algo ainda mais delicado”. “As dificuldades são potencializadas quando se compara com a zona urbana, mas é algo que não podemos perder de vista. Há sim que se ter maior atenção para a zona rural”, acrescentou.

Álvaro José sintetizou que duas ações são primordiais: implantar sistemas completos de esgotamento sanitário e proteger os mananciais, conservando e preservando as bacias hidrográficas. “Tudo isso deve vir precedido de planejamento para que resulte em bons projetos e obras bem executadas, e da existência de entidades capacitadas para fazer a gestão dos serviços”, completou.