III Encontro do Movimento Memória, Verdade e Justiça Norte e Nordeste fortalece o debate democrático, na luta pela punição de torturadores e culpados no período de ditadura
28 de agosto de 2015 - 10:46


Com homenagens a ex-Reitora da Universidade Regional do Cariri (URCA), Violeta Arraes Gervaiseau (in memoriam), além do presidente da Fundação Araripe, Pierre Gervaiseau, pela contribuição dada por ambos, na luta pela redemocratização do Brasil, durante a ditadura militar, recebendo na França diversas pessoas exiladas, além da contribuição à cultura, foi realizado na Universidade Regional do Cariri (URCA), o III Encontro do Movimento Memória, Verdade e Justiça Norte e Nordeste.
Com conferências realizadas durante os dias 26 e 17, o evento foi encerrado ontem, no Salão de Atos da Instituição. Durante as homenagens, a ex-Reitora foi representada por sua filha, Maria Benigna. A abertura dos trabalhos foi realizada pelo Reitor da URCA, Professor Patrício Melo, que destacou o papel da Universidade na consolidação de um olhar focado no fortalecimento da democracia e expansão do processo de desenvolvimento, em que pauta o conhecimento é uma de duas linhas mestras, estreitando a identidade. “O Cariri tem a sua história marcada por movimentos de luta e de inconformismo com quaisquer formas de desigualdades e de discriminação, e recebe uma oportunidade ímpar, em larga medida, de sediar esse encontro”, disse.

Ele ainda destacou o agradecimento aos organizadores do evento e às instituições apoiadoras. Além dos estudantes presentes, pela grande participação.
A importância de se entender e projetar todo o processo histórico, conforme o Reitor, é para não que surjam vozes equivocadas na sociedade, além do que seja importante para o fortalecimento da democracia. Ele saudou os homenageados, ao mesmo tempo em que destacou Pierre Gervaiseau como um dos maiores intelectuais do Brasil, e a sua contribuição na história da democracia no País e pelos direitos humanos no mundo não tem parâmetros, além da luta por uma universidade melhor, mais democrática, sobretudo pela incorporação dos movimentos culturais e do pensar sertanejo de modo cidadão.
Os avanços nos processos e conquistas pela redemocratização, a justiça aplicada em cima dos torturadores, depoimentos de vítimas da ditadura, não apenas no Brasil, como em países como a Argentina, foram expostos e debatidos, a exemplo do conferencista, Ramon Pablo Videla, Membro do Centro Internacional para La Promocion de Derechos Humanos (CIPDH), na Argentina. Ele chegou a se emocionar quando relatou os momentos em que foi torturado durante a ditadura Argentina, que tem sido exemplo para outros países, na punição aos torturadores.

Ainda participaram das palestras conferencistas de El Salvador, estados brasileiros e regiões estarão participando de conferências. O encontro pretende dar uma contribuição para que haja punição aos culpados pelas torturas aplicadas no período da ditadura militar no Brasil. A programação foi construída para agregar a Semana da Anistia 2015, que conta com mostras de cinema Marcas da Memória da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, oficinas e palestras nas escolas da região do Cariri cearense.