Minc, URCA e UFCA debatem implantação da Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura no Cariri

28 de janeiro de 2026 - 11:05

O Cariri poderá ter a primeira Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura. Um projeto vem sendo debatido, por meio do Ministério da Cultura (Minc), a Universidade Regional do Cariri (URCA), que detém a Lira Nordestina, gerida através da Pró-Reitoria de Extensão da Instituição, e a universidade Federal do Cariri (UFCA).
Nesta segunda-feira, 26, o secretário de Formação Artística e Cultural do Minc, Fabiano Piúba, esteve reunido com representantes das universidades, para debater o projeto. Na ocasião, ele esteve na gráfica Lira Nordestina, juntamente com a Pró-Reitora de Extensão da URCA, Professora Sandra Nancy, e a Professora do curso de Biblioteconomia da UFCA, Fanka Santos.

Pela relevância da Lira Nordestina, esse espaço não apenas seria a base para que o projeto se torne realidade, mas a grande inspiração e memória viva dos tempos áureos do cordel no Brasil.

O Cariri é o coração pulsante do cordel e da xilogravura brasileira. A poética e a rima, por muitos anos, transportaram a informação até os leitores, nos folhetos de cordel, principais meios de comunicação da época. O traçado rimado tinha uma expressão genuinamente nordestina, que viajou o Brasil e diversos países do mundo, como principal forma de comunicação de massa pelo solo nacional.

No final do século XIX para início do século XX as feiras sertanejas, no sopé da Chapada do Araripe, em Crato, e principalmente na cidade de Juazeiro do Norte, se tornaram grandes centros de produção de cordel. As romarias estimularam mais ainda a produção das rimas, transformando a cidade juazeirense, com a Tipografia São Francisco, no centro de produção. Mais tarde a gráfica viria receber o nome de Lira Nordestina.

E é aqui no Cariri, no terreno fértil, com uma trajetória histórica de grandes poetas e xilógrafos, que poderá nascer a primeira escola do País, na verdadeira “capital simbólica” da literatura de cordel e da xilogravura na América Latina.

Lira Nordestina
Antiga Tipografia São Francisco, em Juazeiro, é o marco zero dessa resistência. É nela que o som das máquinas tipográficas se mistura ao cheiro da tinta, perpetuando a técnica secular de impressão.

A região é um celeiro de talentos que transformam madeira bruta em poesia visual. Nomes como Stênio Diniz e o saudoso Mestre Noza (considerado o primeiro xilógrafo do Juazeiro) abriram caminho para uma geração que hoje une o tradicional ao contemporâneo. Atualmente a Lira Nordestina conta com nomes importantes da xilogravura, como José Lourenço, que tem feito um trabalho na área, como um dos símbolos de resistência dessa importante arte secular.