“Nenhum governo pode avaliar educação e ciência como gastos, mas, sim, investimento”, diz presidente da SBPC
5 de maio de 2017 - 09:49

A importância da educação para o crescimento do país e a atual situação da área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) no Brasil, foram destaques na conferência que encerrou a vasta programação do terceiro dia da Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (RR-SBPC). A conferencista Helena Nader, presidente da SBPC, destacou os acanhados números da educação brasileira, nos ensinos fundamental, médio e superior, se comparado a outros países do mundo e avaliou que a “a ciência é porta para o crescimento de qualquer nação”.
Ao citar a importância das pesquisas científicas, Nader destacou que, além de o país dispor de poucos pesquisadores, a grande maioria nunca saiu do Brasil. “A meta é alcançar a internacionalização”, pontua, ao afirmar que 63% dos pesquisadores nunca foram ao exterior. Outro número negativo que chamou a atenção da presidente da SBPC se refere ao mais importante exame educacional do mundo, elaborado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com o intuito de aferir a qualidade, equidade e eficiência dos sistemas escolares, mostraram mais uma vez os alunos brasileiros nas últimas posições do ranking.
Nas três áreas (ciências, leitura e matemática) avaliadas pelo Pisa em 2015, os estudantes brasileiros tiveram desempenho abaixo da média da OCDE. “É assustador”, disse. Dentre 72 países, o Brasil ocupa a 63ª posição em ciências, a 59ª em leitura e a 66ª colocação em matemática. “Falta aplicar mais recursos na educação e de forma correta. Nenhum governo pode avaliar educação e ciência como gastos, mas, sim, investimento”, acrescentou.
Além de evidenciar o quanto o Brasil precisa avançar nas políticas públicas de ensino e em estratégias estruturantes para a melhoria da educação, o índice do Pisa pode servir para mostrar o que as outras nações estão fazendo para alcançarem bons resultados. Na avaliação de Helena Nader, a implantação imediata do Marco legal de ciência, tecnologia e inovação é fundamental para o salto de qualidade educacional no Brasil.