Observatório da Violência apresenta dados da violência contra a mulher durante assembleia
19 de setembro de 2016 - 16:15
A Coordenação do Observatório da Violência e dos Direitos Humanos da Universidade Regional do Cariri(URCA) apresentou, na semana passada (13), durante III Assembleia, os dados da violência contra a mulher nos primeiros sete meses do ano de 2016 das cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha.
Os resultados preliminares do Relatório apontam 6 notificações de violência contra a mulher para cada mil mulheres das três cidades. Isso representa, por dia, 6,5 notificações. Ao todo, foram detectadas 1.372 notificações nos primeiros sete meses do ano. “Esses dados são muito elevados”, afirmou uma das coordenadoras do Observatório, professora Grayce Alencar. “Eles apontam elevada vitimização no Crajubar, bem como a necessidade de articulação e reestruturação de políticas públicas”, avaliou.
Os dados também revelam que 88,8% das vítimas residem na zona urbana e as ocorrências acontecem mais no período da noite. Em 44,7%, dos casos, a violência aconteceu mais de uma vez. Os tipos de violência registradas foram desde a virtual até física.
Os casos monitorados foram coletados nas Delegacias em Defesa da Mulher, Delegacias Regionais, Centros de Referência da Mulher e Setores de Vigilância Epidemiológica das três Secretarias de Saúde das cidades do triângulo Crajubar. A coleta é feita nesses órgãos respondendo a um questionário de mais de 50 questões.
A representante da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado (Sejus), Lúcia Maria Bertini, esteve presente na assembleia para acompanhar os trabalhos. “Nós temos conversado para poder pensar como é que agente pode ampliar e aprofundar a parceria”, afirmou.

De acordo com Grayce, o relatório apontou carência de muitas informações que não são registradas pelos serviços. Ela afirmou que que os órgãos consultados serão convidados para discutir os números para que eles se sensibilizem e aperfeiçoem o trabalho de coleta.
Para minimizar o número de notificações, a perspectiva do Observatório é fazer um acompanhamento contínuo e retrospectivo para traçar um perfil aprofundado. Após essa etapa, a proposta é pensar e articular estratégias e parcerias com as Secretarias de Segurança Pública, Educação, Saúde municipais e governamentais para que em conjunto a Universidade e o Observatório proponham políticas públicas para o enfrentamento da violência no Cariri.