Política de Resíduos sólidos é um dos principais desafios das cidades Brasileiras, conforme pesquisadores
5 de maio de 2017 - 09:07

A política de resíduos sólidos tem sido um dos principais desafios das cidades brasileiras, no que se refere ao enfrentamento dos problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) ter sido instituída em 2010, estima-se que cerca de 60% dos municípios brasileiros ainda dispõem seus resíduos de forma ambientalmente inadequada em lixões ou aterros controlados (lixões com cobertura precária).
Somente pouco mais de duas mil e trezentas cidades do país dispõem seus resíduos sólidos urbanos coletados em aterros sanitários, individuais ou compartilhados por mais de um município. Esta problemática foi tema de debate durante o terceiro dia da Reunião Regional Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (RR-SBPC), notabilizado como um dos maiores eventos científicos do Nordeste e realizado pela primeira vez na região do Cariri cearense.
Em sua fala de abertura, a palestrante Vitória Moraes, da Autarquia Municipal de Meio Ambiente de Juazeiro do Norte, destacou dois importantes números que estão em desconformidade, mas que servem para ilustrar o problema dos resíduos e que são desproporcionais. “Cada pessoa produz por dia 1,04 kg de resíduos sólidos. Em contrapartida, não há quantidade suficiente de cidades que atuem de forma correta no que diz respeito a coleta e destinação do lixo”, pontua.
Conforme explica, o alto número de lixões gera, consequentemente, um diminuto número de resíduos reciclados, “fato que acaba desencadeando uma série de problemas, como por exemplo, o crescimento de doenças”. Samuel Ricarte, também da Amaju, explica que “a baixa quantidade de aterros está diretamente relacionada ao alto custo de implantação”. Para implantar um aterro de médio porte, isto é, com capacidade para 800 toneladas por dia, são necessários, em médio, investimento de R$ 18,4 milhões.
“Por isso é tão importante os chamados aterros consorciados, aqueles que contam com parcerias de várias cidades”, acrescenta o palestrante. Vitoria lembra, no entanto, que os impactos ambientais, a médio e longo prazo, podem ser bem mais onerosos aos governos. “São inúmeros. Destaco os possíveis problemas de saúde, o bem-estar da população, as condições sanitárias do meio ambiente, a qualidade dos recursos ambientais, dentre outros”, elenca Vitória.
Ao explanar sobre as soluções para conter os lixões e os problemas ocasionados por ele, Samuel destacou que a PNRS incentiva a formação de associações intermunicipais que possibilitam o compartilhamento das tarefas de planejamento, regulação, fiscalização e prestação de serviços de acordo com tecnologias adequadas à realidade regional.