URCA institui 2020 como o “Ano acadêmico dedicado a Celso Furtado”, homenagem aos cem anos do economista

27 de fevereiro de 2020 - 15:39

A Universidade Regional do Cariri (URCA) é a segunda instituição de ensino superior do Brasil a ter o ano acadêmico dedicado ao economista e professor doutor, Celso Monteiro Furtado, em virtude do seu centenário de nascimento, a ser comemorado em 26 de julho. A aprovação aconteceu através do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da Instituição, na primeira reunião ordinária do ano, dia 13.

A iniciativa tem como principal objetivo prestar uma homenagem ao grande intelectual, acadêmico e político que representou Celso Furtado para o desenvolvimento da América Latina, do Brasil e em particular do Nordeste Brasileiro. Por conta das comemorações alusivas ao seu centenário, outras instituições tomaram a iniciativa, como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Conselho Federal de Economia (COFECON) e pela Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba.

 

Quem foi o economista?

Um defensor entusiasta da universidade brasileira e da intensa atuação pública na ação política, que intitula ao desenvolvimento e aos direitos humanos fundamentais. Nasceu na cidade de Pombal, na Paraíba, e faleceu no Rio de Janeiro em 20 de novembro de 2004. É considerado um dos mais destacados intelectuais brasileiros, atuando como economista, jornalista, escritor e homem público. Criou e foi o 1º superintendente da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), 1º Ministro do Planejamento e 3º Ministro da Cultura do Brasil.

Celso Furtado foi doutor em economia da Universidade de Paris-Sorbonne em 1948. Integrou a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), órgão das Nações Unidas, em 1949; foi diretor do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico em 1953; fundador da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, em 1959; foi nomeado o primeiro Ministro do Planejamento do Brasil, em 1962.

Em 1964, perdeu os direitos políticos devido ao Ato Institucional n° I, durante a ditadura. De 1964 a 1979, viveu no exterior, foi pesquisador graduado do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Yale, foi professor efetivo de Economia do Desenvolvimento e Economia latino-americana na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Sorbonne e também visitou diversos países em missão das Nações Unidas.

Realizou suas séries iniciais na Paraíba e conclui o ensino secundário, em Recife, Pernambuco. Em 1939 foi morar no Rio de Janeiro, e em 1940 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ). Trabalho como jornalista nesse período na Revista Semana. Bacharelou-se em Direito no ano de 1944. Estudou no London School of Economics (1947) e concluiu o seu doutorado na Universidade de Paris – Sorbonne. Retornou ao Brasil e continuou desenvolvendo suas atividades junto ao Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) e junto com economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), passou a trabalhar na revista Conjuntura Econômica. Em 1949, o economista mudou-se para o Chile como integrante da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), órgão vinculado às Organização das Nações Unidas (ONU), já casado com a economista argentina Lucia Tosi, com quem teve dois filhos.  O seu primeiro Livro foi publicado em 1954, A Economia Brasileira: Contribuição à Análise de seu Desenvolvimento, seu primeiro livro na área econômica.

Até 1957, cumpriu várias missões técnicas da CEPAL, como Diretor da Divisão de Desenvolvimento, em diversos países, como Argentina, México, Venezuela, Equador, Peru e Costa Rica, visitando também universidades norte-americanas para debater aspectos teóricos do desenvolvimento.

Passou o ano letivo de 1957-1958 no King’s College, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde escreveu sua obra mais conhecida Formação Econômica do Brasil. Publicada no Brasil em janeiro de 1959, duas semanas depois, a obra ocupava o terceiro lugar entre os livros mais vendidos no país, numa lista encabeçada pelo romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado. Desde então, vendeu no Brasil cerca de 300 mil exemplares e sua obra foi traduzida em oito idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, romeno, polonês, japonês e chinês).

De volta ao Brasil, desligou-se da CEPAL, assumindo uma diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) hoje BNDES e, em 1959, elaborou o Plano de Desenvolvimento do Nordeste a partir de sua participação no Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), que deu origem a criação da obra furtadiana, de ser essencialmente multidisciplinar: nunca deixando de ser o economista que foi, ele soube incorporar à Economia conceitos da História, das Ciências Sociais e da Cultura sobretudo.

Nomeado Ministro da Cultura do governo José Sarney, em março de 1986, conseguiu aprovar a primeira lei de incentivos fiscais à cultura no Brasil, conhecida como Lei Sarney.

Recebeu o título de Doutor Honoris Causa das seguintes universidades: Universidade Técnica de Lisboa (1987); Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 1990); Universidade de Brasília (UnB, 1991); Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 1994); Universidade Federal da Paraíba (UFPB, 1996); Université Pierre Mendès- France, de Grenoble, na França (1996); Universidade Estadual do Ceará (UECE, 2001); Universidade Estadual de São Paulo (UNESP, 2002); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2002).

Em agosto de 1997, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 11 e, no mesmo ano, foi criado pela Academia Mundial de Ciências, sediada em Trieste, Itália, o Prêmio Celso Furtado a ser concedido, de dois em dois anos, a um cientista social exclusivamente dos países em desenvolvimento.

Em 2001, a Fundação Carlos Chagas de Apoio à Pesquisa, do Rio de Janeiro instituiu também outro prêmio em sua homenagem, o Celso Furtado de Desenvolvimento.

 

Indicação ao Nobel de Economia

Em 2003, foi o primeiro brasileiro a ter o seu nome indicado para receber o Prêmio Nobel de Economia e, em 2004, foi homenageado na reunião da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (United Nations Conference on Trade and Development – UNCTAD).

Celso Furtado é autor, entre outras, das seguintes obras: Contos da vida expedicionária: de Nápoles a Paris (ficção, 1946); A economia brasileira: contribuição à análise de seu desenvolvimento (1954); Uma economia dependente (1956); Formação econômica do Brasil (1959); Uma política para o desenvolvimento econômico do Nordeste (1959); Desenvolvimento e subdesenvolvimento (1961); A pré-revolução brasileira (1965); Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina (1966);Teoria e política do desenvolvimento econômico (1967); Formação econômica da América Latina (1969); Um projeto para o Brasil (1970); O mito do desenvolvimento econômico (1974); O Brasil pós-“milagre” (1981); Não à recessão e ao desemprego (1983); A nova dependência, dívida externa e monetarismo (1985); A fantasia organizada (1985); Transformação e crise na economia mundial (1987);ABC da dívida externa (1989); A fantasia desfeita (1989); Os ares do mundo (1991); Brasil, a construção interrompida (1995);Seca e poder(1998); O capitalismo global (1999).

Esteve sempre no esteio de sua obra e de suas ações a defesa da atuação estatal como superação para os estrangulamentos da formação das estruturas subdesenvolvidas dando especial destaque ao papel desempenhado pelas Universidades. Teve atuação original, de homem de pensamento e de homem de ação.

Celso Furtado morreu na manhã do dia 20 de novembro de 2004, de um enfarte, aos 84 anos de idade, na sua residência no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. Seu corpo foi velado na Academia Brasileira de Letras.

Dedicar um ano comemorativo a tal personalidade é reconhecer a sua contribuição ao desenvolvimento do Brasil, do Nordeste e do Cariri, oportunizar o reconhecimento de sua contribuição além de propagar a sua obra.

As informações que fundamentaram a justificativa da presente submissão têm como fonte a biografia de Celso Monteiro Furtado, disponibilizada pela Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ) e pelo Centro Internacional Celso Furtado.