VI Artefatos da Cultura Negra conta com mil inscritos e amplia debate sobre Educação Afropensada
3 de setembro de 2015 - 01:44

O VI Artefatos da Cultura Negra dá continuidade a programação, com palestras, oficinas, rodas de conversas, minis cursos e lançamentos de livros, até a próxima sexta-feira. O evento foi aberto ao som dos tambores, inspirado nos cultos afros, e contou com a assinatura de provimento, pelo Reitor da Universidade Regional do Cariri (URCA), Patrício Melo, para criação da Política Institucional de Igualdade Étnico-Racial, na Instituição. A proposição, apresentada junto ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), representa um marco para as políticas afirmativas na Região.

São mais de mil pessoas inscritas durante a sexta edição. Com isso, se amplia o debate em torno da temática “Educação Afropensada: Repensar o currículo e construir alternativas de combate ao racismo”. “Essa é uma das mais importantes noites para a URCA, porque representa um novo começo nas lutas pelas liberdades. Marchamos para consolidar as iniciativas de políticas públicas acadêmicas inéditas no Brasil”, disse o Reitor Patrício Melo, na noite de abertura, no último dia 31.

O Reitor ainda anunciou a criação do Observatório de Violência do Cariri, que será iniciado no próximo dia 11 de setembro, com uma equipe de trabalho, que irá atuar, em princípio, voltada para questões relacionadas às formas de violência contra a mulher, na Região. Além disso, será aberto o escritório da Comissão de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, no bairro São Francisco, no bairro Pinto Madeira, em Crato.
O evento tem a coordenação geral da Professora Dra. Cícera Nunes, da Universidade Regional do Cariri (URCA). Ela destacou o crescimento do Artefatos, e a atuação do Professor Dr. Henrique Cunha Júnior, da Universidade Federal do Ceará (UFC), que não pôde estar presente este ano. Ela ressaltou o trabalho do docente na educação, em relação a afrodescendência no Estado. Professor Henrique é Membro Fundador da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e do Instituto de Pesquisa da Afrodescendência (IPAD).
Conforme o Reitor Patrício Melo, essa é uma oportunidade dos movimentos sociais, em parceria com a academia, dialogarem, em busca de solução para enfrentamento deste mal, nem sempre silencioso, que é a cultura do preconceito. Ele ainda ressaltou a importância de se consolidar o processo das lutas democráticas pelo desenvolvimento da Universidade. “Não será possível chegar a essa finalidade, sem a inclusão daqueles que foram historicamente alijados das universidades e dos seus direitos fundamentais”, afirma.
Com isso, ele afirma que foi iniciado um diálogo institucional para implantação das normativas da legislação nacional e estadual para a qualificação docente, com inserção dos temas étnico-raciais e indigenistas nos cursos de graduação da URCA. Nesta quinta-feira, será assinado oficialmente documento referente às ações de mobilização junto aos colegiados de cursos, coordenações e departamentos, na inserção dos temas referidos, na legislação ao processo de ensino e aprendizagem da URCA.
Para o Professor Ms., Reginaldo Ferreira, da UFC, é importante reconhecer um trabalho que teve como resultado o crescimento de um evento como o Artefatos. “Estou feliz de ver esse auditório lotado. Realmente uma emoção”, destaca. Já o Professor Manoel Pina, do Departamento de Educação da URCA, ressaltou lembranças da África, sua vivência, durante a abertura. O diretor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE), Antônio Ademar de Sousa, destacou a importância do evento e a parceria, para o desenvolvimento das atividades, além de lembrar do trabalho dos que envolvem a coordenação.
O povo dos terreiros foi representado na ocasião, por Kelma de Iemanjá, que ministrou oficina sobre ‘o racismo e o adoecimento mental: o terreiro como espaço de fortalecimento psíquico’, antes mesmo da abertura, numa tarde dedicada a várias oficinas.
Ela ressaltou a importância da abertura da academia para acolher, reconhecer e debater a diversidade brasileira. “A URCA sai na frente com uma visão mais inovadora”, diz ela, ao acrescentar a necessidade da universidade dialogar com a sociedade. A presidente do Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec), Verônica Neves de Carvalho, ressaltou a emoção em ver acontecer a 6ª edição do Artefatos, lembrando das parcerias realizadas. Disse que o evento está dedicado aos professores da escola básica dos municípios e ainda enfatizou a condição de existência do negro na sociedade e a exigência do cumprimento da cidadania.
O evento conta com a presença de palestrantes nacionais e internacionais, de instituições como a Universidade de Porto Rico, Bucknell University e Universidade de Massachusetts, além de entidades sociais e universidades do sudeste do Brasil. O VI Artefatos da Cultura Negra foi aberto com a palestra ‘Estética da Libertação, Religiosidade de Matriz Africana e Educação Brasileira’, como Professor Dr. Eduardo David de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).