XVI Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra abre com a exposição coletiva Mães D’Água Dedzú
17 de setembro de 2025 - 20:03
O XVI Congresso Internacional Artefatos da Cultura Negra , iniciado último dia 03, em Juazeiro do Norte, celebra 16 anos de trajetória contínua como um dos mais relevantes espaços de encontro, debate e celebração das culturas negras no Brasil. Sob a liderança da Prof. Dra. Cícera Nunes, o Congresso se consolidou como uma plataforma de articulação entre artistas, intelectuais, comunidades tradicionais, pesquisadoras/es e educadoras/es, contribuindo para a valorização da afrodiáspora no campo acadêmico, artístico e social.
Este ano, o Congresso traz como eixo curatorial e político o tema “Movimento Sankofa: Reparação e Bem Viver”, em sintonia direta com a Marcha Nacional das Mulheres Negras, que ocorrerá em 25 de novembro de 2025, em Brasília. Tal alinhamento reforça o protagonismo das mulheres negras como corpos-rios e corpos-oceano, sujeitos de luta, memória, espiritualidade e reencantamento do mundo.
Abertura com Mães D’Água Dedzú
Em sua abertura, o evento inaugurou no Centro Cultural Banco do Nordeste – Unidade Juazeiro do Norte, a exposição coletiva Mães D’Água Dedzú, que poderá ser visitada até 22 de outubro de 2025, de terça a sábado, das 13h às 20h, com entrada gratuita. A abertura contou com a apresentação do Grupo Zabumbar, sob a regência de Jean Alex.
A mostra nasce da escuta dos cantos das águas, compreendidas como arquivo vivo que atravessa territórios, corpos e tempos. Mais que mitos folclorizados, as mães-d’água são aqui apresentadas como filosofias encarnadas, forças políticas e epistemologias de corpo-território. Inspirada pela Chapada do Araripe, guardiã das águas subterrâneas que brotam em fontes, rios e cacimbas, a exposição se organiza como uma correnteza de afluentes: cada obra é um fluxo singular que, reunido aos demais, deságua num mar simbólico de resistência, cura e futuro.
Curadoria e artistas
A curadoria é assinada por Jean Alex Silva de Alencar (Ponto de Cultura Aldeias), Prof. Dra. Renata Aparecida Felinto dos Santos (Grupo de Pesquisa NZINGA) e Tarsila Guimarães Danieletto, com consultoria de Maria Macêdo e expografia de Edileuza Amorim.
Participam da mostra: Alexia Ferreira, Aline Motta, Alma da Livia, Cícero Lourenço, Débora Rodrigues, Demontier, Eliana Amorim, Fhernanda Velloso, Genivan Brasil, Jane Batista, Jaque Rodrigues, Jean Alex Macambira, Jéssika Kariri, Jessyca Santos, José Lourenço, Maria Macêdo, Reginaldo Farias, Renata Felinto, Ricardo Campos e Tarsila Guimarães.
Ficha técnica
- Curadoria | Concepção | Produção: Jean Alex Silva de Alencar, Prof. Dra. Renata Aparecida Felinto dos Santos, Tarsila Guimarães Danieletto
- Consultoria curatorial: Maria Macêdo
- Expografia: Edileuza Amorim
- Assistência de montagem e produção: Daniela Silva e Ingrid Bezerra
- Produção CCBNB: Cleiton Araújo
- Gerente executiva em exercício CCBNB/Cariri: Yvanna Oliveira
Um marco no Cariri e no Brasil
Ao longo de 16 anos, o Congresso Artefatos da Cultura Negra se firmou como um espaço de diálogo e protagonismo das epistemologias negras e afro-diaspóricas, promovendo encontros que articulam arte, educação, religiosidade, política e ancestralidade. Sua realização no Cariri, região marcada pela presença afro-indígena e por fortes tradições de resistência cultural, reafirma a importância do território como fonte de saberes insurgentes.
Com a exposição Mães D’Água Dedzú, o Congresso amplia sua potência simbólica ao evocar as águas como ventre e horizonte, memória e futuro. Assim, a edição de 2025 inscreve-se no calendário nacional de resistências e celebrações, preparando-se para confluírem, em novembro, nas águas maiores da Marcha Nacional das Mulheres Negras.
Local da exposição: Centro Cultural Banco do Nordeste – Juazeiro do Norte/CE
Período: 03 de setembro a 22 de outubro de 2025
Horário: terça a sábado, das 13h às 20h
Entrada gratuita